João Pedro Stédile reforça necessidade de mudança do modelo atual; para ele, agronegócio exclui responsabilidade social e camponeses da terra. Foto: Leandro Taques/Terra Livre Press
Fernanda Borges
A necessidade de mudança do modelo atual praticado na agricultura brasileira é urgente. A afirmativa foi intensamente abordada durante conferência realizada ontem pelo líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, na 10ª Jornada de Agroecologia em Londrina.
De acordo com o militante, a agricultura praticada atualmente no Brasil é inviável porque tem como principal interesse o capital, além de atuar contra a preservação da natureza sem responsabilidade social. "O que se está produzindo hoje são commodities por isso não há limites para a busca desenfreada do lucro", reforça.
Atualmente o Brasil é considerado o país que mais consome agrotóxicos no mundo. Entre algumas práticas do agronegócio estão: uso de fertilizantes químicos, cultivo de mudas clonadas e monocultura. Stédile enfatiza ainda que esse modelo de produção busca a exploração da terra, energia (petróleo, hidrelétricas) e concentração cada vez maior de terras.
"Durante todo o século 20 o capitalismo esteve se inteirando das indústrias, hoje ele está no mercado financeiro produzindo uma aliança que faz os grandes proprietários de terra querer cada vez mais terra. O que se busca é aumentar o lucro, um aumento da demanda de trabalho temporário, a substituição de pessoas por máquinas e ainda usam do veneno", reforça.
Para Stédile, a necessidade da mudança é urgente e por isso é necessário a mobilização popular. "Precisamos defender nossas sementes, lutar contra os venenos e ser os principais protagonistas. Um caminho é estimular as prefeituras a priorizar os alimentos da agricultura familiar na merenda escolar, o que já se é limitado hoje a pelo menos 30%. Podemos aumentar essa porcentagem além de fazer com que o espaço da agricultura familiar seja priorizado e valorizado porque o alimento orgânico não deteriora com a natureza e é um alimento saudável", finaliza.

Massa De Manobra
ResponderExcluirNão foram poucos os encontros (dezenas deles, quasde uma centena) que já participei em torno do que os acadêmicos chamam de Agroecologia, e eu apenas chamo agricultura saudável.
Vendo estas fotos, o ambiente mas, principalmente, quem teve a expressão garantida na notícia, além dos organizadores e palestrantes do evento (com rara exceção do Sebastião Pinheiro), não tenho dúvidas que este foi mais um evento onde o agricultor foi apenas o glacê do bolo para o desfile de vaidades acadêmicas e ordenadores políticos, como ademar bogo e joão pedro stédile, dois anestesistas sociais de primeira ordem.
Um, o primeiro, por clamar por organização da classe trabalhadora "em torno" de algo, e não CONTRA algo. Coisa de religiosos do pau (e cabeça) oco.
Já o stédile, faz este bonito todo, para depois, como fez recentemente pedir Reforma Aghrária "por favor" para a predsidenta DiLLma Roussef de Calcutá.
No mais, fazer desta Jornada o palco de lançamento de uma campanha periférica, insincera e inútil contra os agrotóxicos pela famigerada ANVISA (que sequer regulanenta a obrigatoriedade do rótulo especial para os transgênicos, sendo um órgão de um governo que virou as costas pera a Agricultura familiar e ecológica, é no mínimo uma estupidez. O que se devuia fazer lá era a crítica a esta maquiagem governamental.
Nenhum agricultor como palestranbte. nenhuma pauta de organização piopular real e não fictícia.nenhuam pauta política de relêvo. Nenhuma análise dos governos, aliás apoiados pelos líderes do MST e de entidades organizadoras (FETRAF, por exemplo).
Enquanto os Agricultores se deixarem levar como Massa de manobra, nada de bom ocorrerá!
Fora Stédile! Ao Inferno com os Anestesistas Sociais!
Raymundo Araujo Filho
"Manobra das Massas"
ResponderExcluirO que os acadêmicos [ligados umbilicalmente ao povo camponês e comprometidos com a transformação da estrutura fundiária de nosso país] constroem se intitula sim Agroecologia.
Não por acaso essa centena de espaços que você, querido Raymundo, encontrou este termo são parte da construção do que já é reconhecido não só pela comunidade acadêmica internacional, mas pela sociedade como um todo como um paradigma social. Tal construção que envolve uma multiplicidade de processos que vão muito além de se produzir alimentos de maneira saudável. Por mais que você, em tua arrogância intelectual, queira chamar esta totalidade de processos que envolvem transformação da estrutura produtiva do campo, geração de conhecimento, luta contra-hegemônica, construção de força social e avanço de uma cultura política ordenada e coerente com os anseios do povo camponês, etc; de "agricultura saudável" acaba não sendo adequado à realidade, mesmo que você acredite poder moldá-la à sua vontade.
E a realidade, meu caro, se manifesta com força principalmente quando você depara um exército de mais de quatro mil agricultores marchando nas avenidas de uma cidade edificada pela elite latifundiária, defendendo sua forma de viver e produzir. Um exercito que está ali representando uma quantidade imensamente maior de outros seus que formam a base de construção deste paradigma social e da luta pela terra livre e pelo trabalho liberto.
continua
A Agroecologia tornou-se no Paraná um centro, uma referência onde o agricultor encontra a base para produzir com autonomia, educar seus filhos com identidade camponesa e lutar contra as formas de opressão de sua classe. Tente sair de traz do computador e vá dar uma olhada no campo, segure o queixo quando ver as centenas de escolas técnicas de agroecologia, as universidades populares com graduação em Agroecologia, as agro-industrias geridas associativamente dentro dos assentamentos e produzindo alimentos saudáveis. E para você querido Raymundo que quer desqualificar a Agroecologia vá ver as tantas pós graduações em Agroecologia espalhadas pelo país. A Jornada de Agroecologia acaba sendo uma reunião deste grande campesinato, para troca de experiências e para fortalecimento da identidade camponesa, para o encontro com a força construída pela Agroecologia. Força que se expressa em totalidade através das campanhas de nivel nacional, que movimentam universidades, comunidades, veículos de informação e estruturas socias a lutarem contra o uso de agrotóxicos e tecnologias transgenicas na produção de alimentos. Insincero e inutil está sendo você em não reconhecer isso tudo e querer dar o nome que lhe convém para o jeito de fazer agricultura que lhe convém.
ResponderExcluirAproveite para dar uma estudada e compreender o processo histórico que fez surgir a Agroecologia. Desça ai do seu castelo de cristal e reconheça que o povo brasileiro cansou de levar tapa e está ganhando autonomia para superar a inexperiência democrática de raízes históricas e culturais. Este povo que não aceita a vida de miséria e resolve encampar a luta pela terra, a base social do MST. Povo organizado que se multiplica pelo território, ganha a cada dia identidade politica, tem suas formas de expressão sendo consolidadas e reconhece sua luta legitima sendo representada por seus quadros no meio politico e intelectual.
Portanto lave sua boca e dê uma varrida ai nas ideias meu amigo antes de falar dos representantes deste povo, que você acusa de anestesiá-lo, algo que já é muito bem feito pela ordem burguesa. Cada palavra escrita e proclamada pelo Stédile e pelo Bogo é reconhecida por qualquer agricultor que constrói o MST como sua, é o povo reconhecendo seus lideres pela força que estes tem de interpretar sua luta e defendê-la no meio politico e intelectual. O processo aí é outro meu caro, não anestesia e sim geração de força para o povo levar a cabo um projeto de nação. Um projeto popular de nação, em que a população toma as rédeas de seu destino...é a "manobra das massas" para construir um país justo e digno e acabar com todas as formas de opressão.
Cuidado você Raymundo, esta sendo levado direto para a armadilha do sectarismo, vomitando senso comum na ânsia de criticar somente para atingir seus adversarios.
Gabriel Troilo