quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Audiência Pública debate as consequências do uso de agrotóxicos

A cada ano são notificados 800 casos de contaminação por agrotóxicos no Paraná. Para além dos dados oficiais, Saint-Clair Honorato dos Santos garante haver um elevando índice de subnotificações. A estimativa é que ocorram 40 mil casos de intoxicação e contaminação anualmente.

Ednúbia Ghisi (Curitiba-PR)

No último dia 24, a Assembleia Legislativa do Paraná recebeu a Audiência Pública: Comercialização e o Uso Ilegal de Agrotóxicos, espaço que marcou o lançamento do Comitê Paranaense da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida no Paraná.

Participaram da audiência os deputados estaduais Professor Lemos e Elton Welter, a médica do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do município de Santa Maria (RS), Rosa Maria Wolff, o procurador de Justiça do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente, Saint-Clair Honorato dos Santos, o advogado da organização Terra de Direitos, Darci Frigo, Roberto Baggio, da Via Campesina e Paulo Santana, representante da Secretaria Estadual de Saúde. Também estiveram presentes integrantes da Assembleia Popular do Paraná, estudantes, técnicos e ambientalistas.

Segundo Saint-Clair Honorato dos Santos, a cada ano são notificados 800 casos de contaminação por agrotóxicos no Paraná. Para além dos dados oficiais, o procurador garante haver um elevando índice de subnotificações. A estimativa é que ocorram 40 mil casos de intoxicação e contaminação anualmente.

Os dados nacionais e mundiais também são alarmantes: de acordo com pesquisas apresentadas por Rosa Maria Wolff, cerca de 70 mil brasileiros morrem a cada ano por contaminação com agrotóxicos, e no mundo 3 milhões, no mesmo período.

A médica ainda ressalta a existência de diversas doenças causadas por consequência do contato direto ou pelo consumo de alimentos e de água contaminada por defensivos químicos. Entre os males estão diversos tipos de canceres, deformação e óbito fetal, mutações genéticas irreversíveis, distúrbios comportamentais e neurológicos.

Com base em estudos realizados na região de Santa Maria, 85% das crianças matriculadas nas escolas da zona rural acompanham os pais ou trabalham diretamente na aplicação de veneno na lavoura. A pesquisa também apontou que 30% dos estudantes das mesmas escolas sofrem com dificuldade de aprendizado.

Uma bandeira antiga
O debate sobre as consequências do uso de agrotóxicos é antigo no Paraná. Darci Frigo afirmou que desde o início das Jornadas de Agroecologia, realizadas pela Via Campesina a partir de 1991, havia o debate e a luta contra o uso de veneno, momento em que as transgenias ganhavam espaço e inseriam ainda mais o uso de agrotóxicos na agricultura.

Neste período também se tornou conhecida a situação de São João do Triunfo, município característico pelo cultivo de fumo, onde houve grande número de agricultores intoxicados pelo uso de venenos.  O debate e a mobilização em torno do caso contribuíram para a formação do Fórum Estadual de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos.

O Paraná é um dos campeões brasileiros no uso de agrotóxicos, consumindo cerca de três vezes mais do que outros estados. Darci Frigo chama atenção para a falsa justificativa de que com a utilização de transgênicos e agrotóxicos seria possível haver produção de alimentos suficiente para combater a fome no mundo. Segundo o advogado, dados recentemente divulgados denunciam que uma a cada sete pessoas passa fome no mundo, o equivalente a 1 bilhão de pessoas.

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